Land art

Land art é uma técnica artística cuja criação se utiliza de elementos da natureza, mais especificamente de espaços e recursos naturais nela encontrados. É uma forma de arte contemporânea que surgiu nos Estados Unidos na década de 60 em um movimento liderado por Robert Smithson, em uma tentativa de aumentar a consciência pública sobre a relação do homem com o mundo natural, intervindo na paisagem a partir de uma série de construções instigantes. O movimento fez sua primeira aparição em uma exibição chamada “Earthworks”  em 1968 em Nova York, cresceu rapidamente e contou com artistas no mundo todo, porém devido a necessidade de altos investimentos financeiros para a criação das obras, sofreu um precoce declínio já na década de 70 com a recessão econômica da época – declínio ainda mais acentuado com a morte de seu pioneiro Robert Smithson in 1973.

Entretanto, embora seja um movimento característico da segunda metade do século XX, culturas antigas constantemente usavam elementos da natureza e materiais da terra para se expressar, muito antes do próprio termo “arte” ser cunhado. Nos tempos modernos, muitos dos artistas do movimento Land Art também estavam envolvidos ao minimalismo e cubismo, de maneira que essa forma artística foi inicialmente associada a outras formas de arte. Estudiosos do movimento afirmam que este teve como ponto de partida o Movimento Minimalista, o qual apoia-se na ideia de que a arte deve existir por si mesma e na busca por distanciar-se do subjetividade do artista, valores estes que também estarão presentes na Land Art. Na modernidade, a Land Art é considerada inclusive um ponto decisivo da arte em direção do meio exterior, em uma reaproximação do ser humano com a natureza, relação tão marcante nas culturas antigas. 

Trata-se de artes efêmeras, que modificam a paisagem, criando novas dimensões nestas de maneira a instigar emoções no espectador. Os artistas buscam na natureza uma forma de reflexão, chamando atenção para a grandiosidade desta no mundo. As criações são diversas, e podem assumir uma grande variedade de formas e dimensões, desde obras de grande escala, com vastas extensões de paisagem, até linhas simples de pegadas na terra. Artistas, como Voorwold, destacam o caráter terapèutico desta forma de arte, além de trazer a potencialidade de destacar o ambiente em sua beleza por si só, um ideal que dialoga com uma aproximação mais sustentável da criação artística.  

Pode-se dizer que a Land art também foi um protesto de vários artistas contemporâneos contra a camisa de força comercial imposta por galerias e negociantes de arte materialista. Nele a paisagem seria o meio pela qual a arte ganharia vida e significado. Ironicamente, contudo, muitos dos projetos demandam um alto custo para serem concluídos (compra de terras, uso de equipamento de terraplenagem, etc.), necessitando, assim, de apoio financeiro do próprio sistema que criticavam. Ademais, as obras normalmente localizam-se em lugares remotos, acessíveis apenas por uma pequena e privilegiada parcela da população, sendo adequadamente visíveis apenas de cima, tornando esse tipo de arte um tanto elitista e contradizendo o princípio original que embasou seu desenvolvimento. Atualmente, alguns artistas tentam minimizar tais problemas, recorrendo a projetos menores e mais fáceis, e utilizando muito o recurso da fotografia e filmografia para ampliar o alcance da obra a populações variadas, e também para eternizar uma obra que é em sua essência efêmera. 

Essa aceitação de sua efemeridade advém do entendimento de que a Land Art vai muito além de um mero enfoque na natureza, mas também abarca o respeito diante desta, criando-se a arte com aquilo que se encontra no local e deixando-a nesta, entendendo que nós não a possuímos e podemos levá-la conosco  apenas em memórias e registros. 

Segue alguns exemplos abaixos:

Spiral Jetty, de Robert Smithson, 1970: escultura em forma de espiral feita com terraplanagem de pedra basálticas e terra que adentra no Grande Lago Salgado em Utah, nos Estados Unidos. Comprimento de 457,2 metros e de largura 4 metros, preservada até hoje
Mandala – criação na natureza, de Voorwold
Rhythms of Life, de Andrew Rogers (2004): 48 obras de pedra maciça que envolveu mais de 6.700 pessoas em 13 países diferentes. O animal acima, de 80 m de comprimento e 3 m de altura, foi erguido no meio do deserto do Atacama, no Chile

Obra de Nils-Udo (1978):  ninho de 80 toneladas com arbustos, pedras, galhos, terra e grama, na cidade de Lüneburg Heat, na Alemanha.

http://64.130.23.120/land-art.htm
https://photoarts.com.br/magazine/land-art-conceito-caracteristicas/

https://www.ufmg.br/museumuseu/paisana/html/leituras/landart/01txt.htm

https://www.iberdrola.com/cultural/arte-ambiental

https://casavogue.globo.com/LazerCultura/noticia/2012/05/top-10-obras-de-arte-feitas-na-natureza.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *